19 de set de 2014

Poesia - Uma vida, um poema




Em silêncio,
Para não perturbar
A música do vento
Iniciei uma viagem
Solitária pelo tempo
Não como sábio,
Mas como eterno aprendiz
Não como um poeta
E sim, como mero mortal,
Quem com a alma escreve

Voei até teu santuário
Escutei tua música encantada,
Abri o livro de teus mistérios
De teus segredos e desejos
Narrei tuas dores,
Como se minhas fossem
Escrevi sobre tuas lágrimas
Que marcaram a face,
Dos crepúsculos dourados
De tuas esperanças

Narrei fragmentos de saudades
Do imenso vazio interior
Que te faz companhia,
De teus encontros e desencontros
De teu olhar perdido
De tua chama interior,
Que se aquieta e incendeia
Deixando-te prostrada
Em desalento,
Vivendo o presente sem rumo

Folhei teu livro,
Em busca de novos poemas
Encontrei folhas em branco
Outras amareladas pelo tempo,
Li um nome escrito
Com letras mal formadas,
Um grito dilacerante
Acordou o sonho do vento,
Conclui que a história não era a tua
Em um poema, escrevi a minha.