27 de fev de 2015

Poesia - Nostalgia


Hoje,  abri as portas para a nostalgia
Com serenidade recepcionei lembranças
Hospedei fantasmas, visitantes noturnos
Soprei as nuvens que cobriam memórias
Coletei fragmentos de quimeras
Sem medo, olhei para o espelho do tempo
Encontrei perguntas sem respostas
Segredos etiquetados por ciclos
Entulhos de desesperanças
Sentinelas trancafiando desejos
O silêncio de pêndulos enferrujados
Evocando contornos excluídos
Na palidez das faces em fotografias
Invadi o receptáculo dos sentimentos
Joguei nas labaredas o baú dos mistérios.

20 de fev de 2015

Poesia - Melodia distante



Silêncio na mente
Tento abrir espaço
Divagar na trajetória
Resíduos da memória
Feridas não cicatrizadas
Fragmentos de sentimentos
Cacos dispersos de emoções
Esboços de sonhos tisnados
Visões entre véus de seda
Sem imagens pinceladas
Notas de melodia distante
Pêndulos em sincronismo
Inexorável senhor tempo
Sutil convite à eternidade.

18 de fev de 2015

Crônica - Quaresma

O período da Quaresma deve ser usado para recolhimento rumo ao autoconhecimento e  libertar o Ego de falsas imagens, as quais estão associadas ao Eu e ao corpo físico. O homem deve banir  o nocivo e concluir que um ego caótico mantém a adrenalina elevada, a posição de ataque, pois a postura da defesa é egoísta. É tempo de conscientização, pois o homem não pode se deixar levar por pensamentos perniciosos, atos desalmados e obras infrutíferas.
É um período para fortalecer a identidade espiritual e abrir as portas interiores, expelir os traumas estagnados e absorver as energias cósmicas para a transmutação.
Acima de tudo vivenciar a conexão com o divino através da oração e da caridade que enobrece. Usar os olhos da Alma para ver que ao nosso redor está o semelhante, com as mesmas dores, esperanças e desesperanças, se humanizar e dividir alegria, amor e paz.

13 de fev de 2015

Poesia - Bloco da Ilusão






Ruídos incessantes
Foguetes espocando
Galera cantando
No ritmo do samba
Carnavais de outrora
Salões enfeitados
Pierrôs e colombinas
Palhaços e arlequins
Confete, serpentina
Fantasias exuberantes
Aroma de lança perfuma
Carnavais do presente
Máscaras cobrem faces
Exageros, artifícios
Mentes embriagadas
Olhares perdidos, aflitos
Emoções apimentadas
Povo sem rumo definido
Violência, insanidade
Um delírio surreal
Trio elétrico sacode o povo
Foliões do Bloco da Ilusão
Até quarta-feira de cinzas
Nas avenidas da solidão.








Poesia - Amanhecer




Da noite escura só lembranças
Sonhos despedem-se na aurora
Habitam sombras da madrugada
O amanhecer desperta sonolento
O orvalho beija flores silvestres
A suave brisa brinca com folhas
Libélulas esvoaçam graciosas
Rei Sol espalha seus cálidos raios
Reina com soberania e elegância
Imagens dos passageiros do tempo
Transeuntes que passam nas ruas
Multidões de várias raças e credos
Absortos em seus pensamentos
Caminham em busca da esperança.


6 de fev de 2015

Poesia - Ainda lembro




Escolhas de rotas
Acúmulo de derrotas
Melodias sem notas
Soluços sufocados 
Lagrimas furtivas
Rotos sentimentos
Vogais e consoantes
Palavras mal traçadas
Páginas amareladas
Registros de chegada
O aceno da despedida
Cortejo de inúteis dias
Anoitecer assombrado
Pesadelos renovados
Insônia, inimiga do sono
Rapsódias invadir sonhos.