27 de jul de 2015

Crônica - Manhã de inverno

Letárgica, uma tênue neve e a natureza semimorta, folhagens monocromáticas, mas sem brilho. Alguns minutos atrás olhando um pé de pitangueira e seus frágeis galhos, molhados pelo orvalho fiz breve análise sobre as estações e suas transformações, como afetam a vida, na natureza flora e fauna, no homem  que acorda e caminha por ruas e praças, respirando este ar úmido para cumprir suas tarefas cotidianas. Julho, mês de férias, de preguiça, crianças dormindo na cama quente na espera de um café gostoso e um cativante sorriso materno. Idosos sem compromisso despertam em uma tristeza ardente, comovida, pois vivem na estação da muda indiferença, assolados pelo tédio, doença da velhice, sem ambição de vencer o tempo e o espaço. A estação ainda nos reserva muitos dias e noites de inverno e o corpo se debate entre as defesas e doenças causadas pela intempérie, mas existem remédios para quase tudo desde que, as emoções não congelem e afetem a energia vital. Agasalhe a alma com pensamentos positivos, alegrias e lazer e vença o tempo de inverno.




23 de jul de 2015

Poesia - Travessia do Tempo




Soma de segundos, minutos e horas
Indomável, invisível, que flui em si
Desafia a vida, desafia a morte
Habita o ontem, o hoje, o amanhã
Sonoridade no pêndulo da mente
Um alerta para a estagnação presente
Tudo pulsa pois é tempo de depuração
Fazer a travessia com a consciência
Que somos proprietários apenas

De um exíguo tempo interior.

Poema - Inverno



20 de jul de 2015

Poesia - Amigos




Amigos,
São laços que nos unem
Através de um olhar
Um simples gesto
Uma palavra solta ao ar
Amigos,
São elos que nos circundam
Sente-se falta quando ausentes
Preenchem o vazio quando presentes
Não conhecem horas, não registram o tempo
São energias que iluminam os momentos
Amigos,
Não dependem da fé, da cor, do sexo
Não dependem de posição intelectual ou social
São isentos de formalidades e documentos
Todos residem em um espaço intemporal
Onde se crê e não se mede sentimentos.

Crônica - Dias de Chuva




Caem sobre nosso Rio Grande do Sul chuvas intensas. Em Pelotas a chuva, além de intensa é ininterrupta. Ora garoa que umedece, ora tempestades com  relâmpagos e trovões que encharcam, o que torna difícil para o cidadão a locomoção. Enchentes em cidades, inúmeros desabrigados, alagamentos em bairros e ruas e assim caminham, os transeuntes, saltitando entre poças d’água ou, por águas contaminadas que cobrem pé, coxa e etc. Afinal estamos na estação das chuvas, dos ventos, frio e neve. O que fazer? Aguardar que nosso visitante inverno faça sua bagagem e mude seu itinerário.

E necessário olhar a chuva como bênçãos, pois tudo na vida possui dois lados e o verso da tragédia nos mostra a importância das chuvas para a natureza, para o plantio e colheita, para que rios abundem em fertilidade. Agucem todos os sentidos, a audição para captar a sonoridade das gotas de chuva no telhado, o olfato para sentir o aroma da terra molhada, a visão para observar os mais variados tons de cinza, o tato para a troca de energias e afagos neste tempo molhado e a gustação, pois a gastronomia nos oferta delícias, como um café com bolinhos de chuva.

17 de jul de 2015

Poesia - Antepassados



Antes de nós, para nós, em nós
Heranças, semelhanças, lembranças
Alianças indissolúveis e eternas
Pois somos a manifestação direta
De culturas e crenças incontestáveis
Soma de hábitos e comportamentos
Simbolizam a árvore genealógica
Sementes que na época germinaram
Em outros corpos no porto da vida
Navegaram e zarparam para o além
E esta conexão com o passado
Ajuda a encontrar força e sabedoria
Para a jornada do presente e futuro.





13 de jul de 2015

Poesia - Tanger do Sino




Tanger do Sino


Um campanário distante
A igreja perdida em ruínas
Seu sino tange na noite de brumas
São ecos de rezas e  lamentos
Do exército de fantasmas que vaga
Mouros e cristãos em procissão
O vento serpenteia as árvores
Sons de vagas explodem na praia
Raios de fogo rasgam o infinito
Para mostrar as Almas o caminho
Do desenfreado repicar do sino.