31 de ago de 2015

Crônica - Selva de pedra

Há muitos anos, Pelotas foi uma cidade que dava gosto de habitar. Uma cidade festiva, culta, de pessoas abastadas pelo comércio do charque. Como em todas as sociedades existia diferenças de classes sociais, mas as notícias da mídia eram pacatas. Há dois anos fiz, uma pesquisa acadêmica sobre a escravidão em Pelotas e passei muitas horas lendo jornais na Biblioteca Pública. Quais as notícias? As alegrias superavam as parcas notícias tristes. Hoje, Pelotas continua sendo considerada a cidade da cultura, mas se transformou em uma selva de pedra. Na mídia diariamente, as notícias de roubos, assaltos à mão armada, estupros e assassinatos são constantes.
As pessoas que aqui residem são, na maioria, idosos, fechados dentro de suas casas gradeadas, com medo do ladrão. O número de estudantes é expressivo, os que aqui residem e os que vieram de outros lugares, que transitam para cumprir as atividades acadêmicas com medo, pois assaltos aos estudantes faz parte do cotidiano, por ladrões de moto e bicicleta. As pessoas da classe média que saem para trabalhar caminham às pressas, sempre em alerta, pois não sabem de qual dos quadrantes vem o perigo.
Hoje, ao ler um dos jornais locais vi que, o senhor que estava desaparecido desde ontem foi encontrado morto, em um de nossos canais. Mais uma tragédia na semana que apenas inicia. Quem é culpado pelo caos, desta e de outras metrópoles? A corrupção e a impunidade que geram o desemprego, a discriminação social, o uso irrestrito da lei da sobrevivência. No Brasil tudo está falindo, os governos em suas três instâncias, os sentimentos nobres e o caráter do homem.

Apenas a selva de pedra se robustece.