9 de nov de 2017




Uma réstia de luz
Em sua brevidade
Infiltra-se pelas frestas
De uma porta milenar
Danificada pelo tempo
Uma grotesca forma humana
Coberta com manto decrépito
Sem cor definida como as névoas
Presa a sentença da existência
Enquanto a casca se esvai
Na paisagem externa e no avesso
Uma face mostrando cicatrizes
Um nome enodoado incompleto
Uma escultura, “A Loucura”.





Amanhã, quando o último ciclo chegar
Estiver sentada em uma cadeira de balanço,
Cercadas de flores, embalada por crianças
Quero ter a certeza que não passei em vão,
Pelo caminho a mim destinado e percorrido,
Quero ler as páginas do Livro da Vida
Ver que não possui folhas em branco
Apenas inúmeras páginas amareladas
Mostrando que o tempo passou e foi longo,
Quero ter certeza que venci os desafios
Aprendi a cultivar a desejada felicidade
Conduzi na direção do Bem meu Livre Arbítrio
Cumpri meu destino florido ou de espinhos
Sempre lúcida para o terreno arar e semear,
O amanhã na vida é chamado de futuro
Um tempo de mistérios e desígnios
Quando será o presente, mais uma vez.


2 de nov de 2017

Porto das Almas


Noite escura, um rio entre brumas se descortina 
Um barqueiro decrépito em viagens contínuas
Transporta Almas por estranhas cercanias
Murmurando uma canção triste e dolente
Pois nem todas estão conscientes da travessia
Algumas pedem clemência desejando ficar
Outras, como zumbis, empurradas sem dó
E o barco desliza no rio carregando o fenecer
Os obcecados dizem que necessitam de moedas
Os céticos como insanos dão gargalhadas
Os evoluídos sabem que não é este o processo
Assim decorrem épocas e as estórias se propagam
Com ou sem barqueiro todos fazem a travessia
Sem rótulo de raças, seres cristãos ou ateus
E no Porto das Almas, suas incertezas ancoram. 

20 de out de 2017

O Poeta

A inspiração borda sentimentos
Delicadas filigranas entrelaçadas
Prata para veladas percepções
Ouro para preciosas sensações
Bronze para emoções em dualidade
A inspiração se transmuta em alquimia
E o poeta preenche linhas em branco

Alegorias e metáforas em poesia.

22 de set de 2017

Primavera triste por quê?

Pelotas em seu último dia de inverno. Um dia frio, ventoso, como se a estação não quisesse concluir seu ciclo. No período da tarde percorri ruas, para realizar tarefas e observei, transeuntes com passos rápidos a fugir do chuvisco na busca de abrigo. Não foi possível aspirar o aroma das flores e escutar a melodia do vento, características da Primavera, pois o cinza invernal cobriu a leveza do balé de asas da passarada.
Sentada no banco de meu transporte coletivo em monólogo perguntei, quantas pessoas teriam percebido a entrada da nova estação, quando escutei: É primavera. Voltei-me para àquela voz rouca e questionei: Primavera triste por quê?

Um rosto sulcado de rugas pela passagem do tempo, cabelo branco como a neve em largo sorriso respondeu: A natureza é igual a nós moça, triste.  Retornei ao monólogo para entender a profunda sabedoria de meu semelhante. 

12 de set de 2017

Crônica

Consciente/inconsciente

Muitas vezes o indivíduo tem um comportamento agressivo sem explicação plausível e extrapola em atitudes, como o que ocorreu nas redes sociais sobre a exposição de “Queermuseu” no Santander Cultural/RS. Nos é facultada a inteligência para manter o discernimento em equilíbrio, a qual é obscurecida por sentimentos nocivos que geram ações maléficas impulsionadas pelo armazenamento de fantasmas, desejos, tabus e fantasias que habitam o inconsciente. Desta forma, o indivíduo perde a razão quando invade a individualidade de forma desastrosa.

A arte e suas formas de expressão nasceram com a humanidade e passaram por inúmeras vertentes de acordo com a época. Em cada obra está contida a essência do artista que permite fluir suas emoções e sentimentos, seu patrimônio imaterial e intransferível. Cabe a nós espectadores gostar ou não, mas nunca cercear e incitar movimentos depreciativos. Os últimos acontecimentos autenticaram pensamentos retrógrados.


20 de ago de 2017

Final de Semestre

Muito feliz. Mais um semestre que venci e este foi o melhor semestre na minha vida acadêmica. Arregacei as mangas e mostrei trabalho, competência e o reconhecimento por parte de colegas e superiores aconteceu. Neste ano, dois Museus da Colônia de Pelotas, “Museu Etnográfico da Colônia Maciel” e “Museu da Colônia Francesa” estiveram sob minha responsabilidade, para recuperação de seus acervos e cada objeto está impregnado de minhas energias, em seus novos ciclos de vida. E eu faço parte desta nova história. O agradecimento do Coordenar do Projeto dos Museus da UFPel, Prof. Fábio Vergara Cerqueira: Não é todo dia que se encontra uma profissional e acima de tudo uma pessoa com as qualidades de seriedade, compromisso e confiabilidade que encontramos em ti Vera Regina Cazaubon, aliadas à competência. Vais fazer falta! Sou imensamente grato à cooperação que tivemos durante este tempo. Emano bons augúrios para os novos passos que vêm pela frente!

30 de jun de 2017

Paisagem Brasil

A mídia propaga, aos quatro cantos, o mar de lama onde estão inseridos os políticos eleitos pelo POVO. Em meu ponto de vista, o eleitor que elegeu os corruptos que se instalaram nos três poderes, tem sua parcela de culpa nos acontecimentos, uns por incultura, outros por acomodação e outros tantos. por interesses pessoais.
Brasil, um País sem governo, sem uma política séria, sem cumprir o dever de ofertar soluções cabíveis para a qualidade de vida dos cidadãos. São tantos os delatores que se perdeu a exatidão do número, pois a cada dia, alguém decide que, para receber privilégios deve citar o que sabe ou, o que viu. O delatado mantém-se na posição de defesa, negando evidências e a lentidão do poder Judiciário, com uma constituinte obsoleta adia, para o “amanhã”, soluções.
Se faz necessário revisar leis e torná-las, mais comprometidas com punições severas, para os deslizes dos políticos que são, apenas “funcionários públicos” e por sinal, muito bem pagos.
Relembrando as aulas de história sabe-se que o termo “democracia” surgiu na Antiguidade clássica, em Atenas, na Grécia, para designar a forma de governo que caracterizava a administração política dos interesses coletivos dos habitantes das cidades-estados.
Os séculos transcorreram e o sistema, por um tempo foi esquecido retornando a partir do século 18 e a partir do século 20, década de 1950, com a idade moderna passou a ter um grande interesse.
Cada época definiu a democracia sob diferentes aspectos, mas a contemporaneidade no Brasil substituiu, “democracia” por “anarquia”, alimentada pela corrupção avassaladora e ao que parece, incontrolável.
O cidadão tem o dever de despertar e concluir que a reforma política tem que iniciar com seu voto, em pessoas de caráter ilibado para ocuparem cadeiras nos três Poderes, pois é necessário que haja um equilíbrio entre eles, de modo que cada um exerça, certo controle sobre os outros, característica das democracias modernas.
É o cidadão que deve cobrar soluções de quem ajudou a eleger, pois são eles que aplicam as políticas públicas, que visam assegurar determinado direito de cidadania, de forma ampla ou, para determinado seguimento social, cultural, étnico ou econômico, a nível municipal, estadual e federal. São esses políticos que regem o destino de uma cidade, um estado, um país, que legislam e aprovam o que beneficia ou prejudica a sociedade.

O destino do Brasil está na minha e na tua mão, ao apertar o botão da urna eletrônica. É nosso direito e urgentemente, nosso dever mudar o rumo de nossa História.

13 de jun de 2017

Santo Antônio





Santo Antônio casamenteiro
Aos teus pés venho orar
A solidão me deixa triste
Um amor quero arrumar
Passam dias, passam meses
Não atendes meu pedido
Sei que sou merecedora
De achar um bom marido
Se você escuta as preces
Das desesperadas e aflitas
Peço mais um pouquinho
Dá-me um marido rico.

12 de jun de 2017

Dia dos Namorados

Brasil, 12 de junho, dia dos namorados e o velho hábito de presentear é impulsionado pelo consumismo, o qual na maioria das vezes tenta substituir o que de mais valioso temos para ofertar, o sentimento. As ruas estão movimentadas, as lojas repletas de namorados em busca de objetos que não possuem valor afetivo.


Para você namorado(a) seja qual o tempo de duração do relacionamento lembre que o amor é um jardim e flores necessitam de cuidado para germinar. Retire as ervas daninhas e use de sua criatividade, seja intimista e respeite a linguagem de seu coração, ame e se deixe amar, não seja manipulado e valorize sua identidade que é única e intransferível.

12 de mai de 2017



Procurei em rostos conhecidos e desconhecidos
Em senhoras das classes rica, média e pobre
Nas mães que carregam crianças sorridentes e rosadas
Um semblante em que a luz divina se manifestasse
Encontrei em inúmeras mulheres da classe miserável
Espalhadas em terras secas, improdutivas e sem água
Esquálidas, acuadas, sem morada, bandeira ou futuro
Que entregam seus murchos seios com a pele ferida
Para engambelar o choro convulso do fruto desnutrido
A mercê de homens que um dia foram pequenos filhos
Hoje, com egos inflados pelo poder são selvagens humanos
Alimentam a guerra e sádicos incentivam ao extermínio
Te homenageio, por ti oro e peço a misericórdia do Criador
Por tua humildade e resignação em cumprir um Karma sofrido.

8 de abr de 2017

Reflorescer

Idealizar um novo começo
Sem passado e lembranças
Acompanhada da esperança
E o sussurro o vento manso
Mensageiro de bonanças
O silêncio da paz interior
Inundando  os sentimentos
Uma linha reta pontilhada
Nova rota a peregrinar
Um amanhã sem pressa
Colheita de cores e aromas
De imortalizados instantes.

30 de mar de 2017

Um colibri

Na energia da leve brisa matinal avistei,  a dança de um pequenino colibri , esvoaçante entre flores de meu jardim. Seus delicados beijos acariciavam  as flores  vermelhas de um guiné do mato. Suas idas e vindas demonstravam momentos de reflexão e a arte do pulsar da vida. Senti  vontade de fotografá-lo, mas o raciocínio lógico impediu que me afastasse da janela, pois perderia o balé de asas.

Colibris visitam cotidianamente meu jardim, mas este por estar só absorveu minha atenção. Sem condições de diálogo detive-me, no monólogo silencioso para não assustá-lo. Sensibilizada, após um tempo sem contar os minutos,  a belíssima ave alçou voo em direção oposta. Agradeci a Deus  poder apreciar uma demonstração de afeto entre o reino animal e vegetal, um momento de arte e poesia.

16 de jan de 2017

Ainda lembro

Escolhas de rotas
Acúmulo de derrotas
Melodias sem notas
Soluços sufocados 
Lagrimas furtivas
Rotos sentimentos
Vogais e consoantes
Palavras mal traçadas
Páginas amareladas
Registros de chegada
O aceno da despedida
Cortejo de inúteis dias
Anoitecer assombrado
Pesadelos renovados
Insônia, inimiga do sono

Rapsódias invadindo sonhos.